Introdução

Este levantamento revela a diversidade e a convergência entre as várias ferramentas existentes e espera inspirar, nas organizações, modelos e ações que permitam apreender os conceitos de Responsabilidade Social.

A percepção de que a Terra enfrenta uma crise ambiental sem precedentes, que afeta a sobrevivência da humanidade,é recente e entrou na agenda internacional mais firmemente nas últimas décadas do século passado. Desenvolvimento sustentável tornou-se uma fórmulautilizada para expressar esta necessidade de manter o equilíbrio entre as dimensões econômica, social e ambiental. Nunca se almejou tanto atingir este objetivo em escala global.

Paralelamente, as organizações (não só empresariais, mas também governamentais), pressionadas pelo contexto de crise e por movimentos sociais e ambientalistas, começaram a compenetrar-se do seu papel relevante para a sustentação da vida no planeta, o que se expressa em boa parte hoje em projetos de responsabilidade social.

Dos anos 90 até hoje, um grande número de ferramentas, como certificações socioambientais, movimentos e campanhas foram criados em várias partes do mundo com o objetivo de consolidar conceitos como responsabilidade social e desenvolvimento sustentável, traduzindo-os em prática de gestão. Espera-se que as organizações sejam transparentese que esta transparência possa ser verificada.

Na década atual, já é possível perceber uma evolução nas práticas e conceitos de responsabilidade social empresarial, que ganha consistência como atividade profissional. Hoje, as ações de responsabilidade social são compreendidas não apenas como investimentos que resultaram do sucesso econômico das empresas, mas são discutidas sob uma visão mais ampla, que permita identificar as condições sociais e ambientais que levaram à realização dos lucros. Esses elementos tornam-se, então, fatores importantes de avaliação dos impactos econômicos dessas organizações. Falamos, portanto, de uma visão estratégica da responsabilidade social como um dos elementos de base para garantir o evolução sustentável(*).

(*) "Passaremos a falar de evolução sustentável e não mais de desenvolvimento sustentável. "Desenvolvimento sustentável é uma definição infeliz. Na visão convencional, ainda adotada pela maioria dos economistas e governos, isso se traduz na manutenção de um crescimento econômico na casa dos 3% ao ano. Dessa forma, sustentabilidade implica manter o status quo. Não é isso que queremos quando estamos consumindo 125% da capacidade de regeneração do planeta. Se essas condições forem mantidas, será o colapso". Thamas Makray - Co-fundador da Willis Harman House.

É bem verdade que dos três pilares clássicos do desenvolvimento sustentável (dimensões econômica, social e ambiental) o debate referente ao pilar econômico pouco avançou. Por ora acrescenta-se a um pilar econômico, que permanece inalterado, um pilar ambiental, e, para concluir, um pilar social.

Entretanto, se houve uma sensível evolução de conceitos e criação de ferramentas para que a responsabilidade social integrasse a estratégia empresarial e a visão do negócio como um todo, essas mudanças não ocorreram de forma homogênea, em termos concretos. Coexistem experiências inovadoras – que têm como centro o diálogo com stakeholders (partes interessadas) e conhecimento dos impactos em toda a cadeia produtiva e de valor – e práticas gerenciais pontuais, que visam apenas sanar problemas derivados do contexto social crítico, como no caso brasileiro, ou mesmo da ação direta da empresa.

Neste sentido, proliferam projetos sociais patrocinados por empresas e iniciativas que visam tornar tangível a responsabilidade social, de modo a integrá-la ao centro da gestão empresarial por meio de um leque amplo de ferramentas e técnicas de gestão, cujo fim-último é o desenvolvimento sustentável.

Reconhecemos que os conceitos e práticasde responsabilidade social são recentes e se encontram em processo de construção. Do ponto de vista das organizações existem, ao mesmo tempo, diferentes realidades, necessidades e desafios, mas uma preocupação: incluir as práticas de RSE à sua cultura e seus sistemas de gestão. Por isso, a proposta deste guia, Ferramentas de Gestão de RS – uma Contribuição para a Sustentabilidade, é ilustrar a imensa gama de ferramentas que povoam a paisagem da responsabilidade social no mundo, oferecendo alternativas para que as organizações possam avançar nos seus projetos e se tornarem mais transparentes diante da sociedade como um todo.

Este levantamento revela a diversidade e a convergência entre as várias ferramentas existentes e espera inspirar, nas organizações, modelos e ações que permitam apreender os conceitos de RS, para que possam ser utilizados em benefício de suas práticas de gestão e de seus stakeholders.

Apostamos que teoria e prática andam juntas. Quanto mais estas ferramentas forem aplicadas, mais condições terão as organizações de avaliar os casos de sucesso e os riscos e oportunidades, aperfeiçoando os modelos propostos, sem torná-los fórmulas mágicas, únicas e uniformes.

Este guia é um investimento na diversidade de propostas como princípio mesmo da inovação.