Instrumentos de Gestão América

5.1 Introdução

Apesar da proliferação de inúmeras iniciativas que emanam de organismos e organizações de naturezas muito diversas, as ferramentas de gestão de responsabilidade social que contribuem e visam atender aos pilares clássicos do desenvolvimento sustentável — o chamado triple bottom line (econômico, social e ambiental) — são estruturadas de modo a desenvolver uma abordagem via engajamento de stakeholders: Acionistas, Público Interno (assalariados e terceiros), Clientes, Fornecedores, Parceiros, Comunidade, Meio Ambiente, entre outros.

A principal distinção entre as ferramentas de gestão apresentadas diz respeito ao grau de adesão, de comprometimento e de profundidade das organizações (de todos os setores) em relação à sustentabilidade. Embora essas ferramentas tenham o mesmo objetivo de avançar no tema, seus processos de aplicação são bem distintos, diferindo no grau de abrangência e complexidade com que tratam a questão.

Algumas ferramentas são bastante acessíveis e de aplicação simples, permitindo até adaptações por parte das organizações que as adotam, dependendo de seus
objetivos e características particulares.

Um simples questionário ou guia pedagógico, por exemplo, pode ser um instrumento de informação que não visa alterar o modo de gestão da organização
imediatamente, mas atende a uma política de sensibilização na matéria e ocupa
o lugar de “primeira etapa”.

A abordagem via questionário procura, sobretudo:

• ajudar a organização a sensibilizar-se, fazendo "boas” questões;

• visualizar onde ela se situa nos diferentes estágios da evolução sustentável,
identificando suas lacunas e seus pontos fortes;

• constituir uma base para uma seqüência de operações de acompanhamento interno e externo e, ainda, formar um banco de dados que prevê uma divulgação de suas práticas e atendimento à mídia.

Os guias pedagógicos que acompanham o questionário são ferramentas que trazem um auto-aprendizado estruturado das práticas e dos indicadores de sustentabilidade.

Trata-se geralmente de guias que explicam os conceitos e que põem em valor as boas práticas, sugerindo os caminhos que as organizações possam percorrer para serem socialmente responsáveis. Nestes casos, a dimensão pedagógica está certamente presente.

Por outro lado, certas ferramentas de gestão ultrapassam de longe a simples fase do questionário ou de compartilhamento de informação para constituir verdadeiros sistemas de gestão. Elas oferecem geralmente uma estrutura formal de planejamento (com lógica semelhante à do PDCA) que comportam várias vertentes e necessitam de mais recursos, know-how e motivação para ter êxito.

Para tanto são estabelecidas estruturas formais de planejamento, com engajamento das partes interessadas, incluindo até sua cadeia de valor, exigindo assim um processo mais complexo e um número maior de pessoas envolvidas, de dentro e fora da organização.

Finalmente, na lógica dos “instrumentos normativos”, cada organização deve
responder a diversos critérios estabelecidos e publicados. Trata-se da formatação
de “padrão” ao qual a organização procurará entrar em conformidade a fim de conseguir a certificação. São ferramentas que focam os processos de melhoria contínua envolvendo organismos certificadores e auditorias internas e externas, dando credibilidade e mais inteligibilidade aos resultados.

A credibilidade das organizações que adotam práticas de RSE perante seus públicos depende em boa parte da definição do seu próprio conteúdo, da formalização das iniciativas através da aplicação de ferramentas transferíveis, analisáveis, comparáveis bem como da possibilidade de verificar a conformidade das práticas das organizações em relação a suas prestações de conta.

A Auditoria externa, por acompanhar a organização nas diferentes fases da instauração de um instrumento, é sem dúvida uma das opções mais exaustiva e
mais dispendiosa, mas apresenta, dentre outras vantagens, um olhar objetivo sobre a situação.