Instrumentos de Gestão Europa

6.1 Introdução

Critérios adotados por pesquisas, a exemplo do trabalho da FBDS¹ – Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável, podem ajudar as organizações a achar o “caminho das pedras” no desafio da sustentabilidade.

Tal pesquisa visou analisar o direcionamento para a sustentabilidade das principais empresas atuantes no Brasil dos setores de papel e celulose, alimentos e bebidas e energia elétrica (2005) e o setor financeiro e o setor sucroalcooleiro (2007).

Fundamentalmente, as questões avaliadas nas organizações envolvem:

• Motivação: conhecimento do conceito, suscetibilidade a pressões externas (ONGs, clientes, reguladores, mercados de capitais), vetores internos de valor, forças e fraquezas e sistema de informações;

• Capacidade de implementação: liderança, estrutura e cultura organizacional, áreas de maior ou menor resistência e grau de preponderância de aspectos financeiros em decisões;

• Alinhamento das diversas áreas da organização: visão, impacto e esforço das diversas áreas da organização em relação à sustentabilidade e identificação de eventual foco de resistência;

• Utilização de ferramentas gerenciais: inclusão da sustentabilidade em ferramentas de gestão, notadamente na estratégia e em seus desdobramentos;

• Identificação de peculiaridades no setor de negócios: influência de características
setoriais e nacionais no desenho da sustentabilidade.

Para identificar vetores de sucesso e principais entraves à adoção de políticas e
práticas compatíveis com um modelo de crescimento sustentável, é necessário:

• Examinar a diferença de percepções, atitudes e padrões de comportamento
entre os gerentes responsáveis por sustentabilidade e demais formuladores de
políticas nas empresas;

• Identificar potenciais diferenças específicas aos setores industriais em valores,
restrições, etc;

• Examinar as pressões enfrentadas pelas empresas para responder a demandas internas (tais que mudanças de gestão) ou demandas externas (tais que expectativas de retorno por parte de acionistas);

• Examinar se companhias usam sistemas de alerta ou outras ferramentas de
diagnóstico para aferir expectativas sociais e ambientais.

Embora se observe no Brasil significativa mobilização empresarial em torno dos
temas ligados à responsabilidade social empresarial, as companhias podem não
estar tratando de pontos relevantes em seu processo estratégico² , o que reduz
a possibilidade de que os desafios da sustentabilidade sejam adequadamente
analisados, priorizados e alinhados internamente com os demais objetivos estratégicos das empresas. Assim, podem ser gerados resultados desfavoráveis ou perdas de oportunidades, tanto para os negócios como para a sociedade.


Os 31 desafios da sustentabilidade:


As empresas vêem os impactos negativos?
O impacto do negócio sobre os desafios revelou que os estrategistas os enxergam como positivos (70,4% dos casos). Poucos (3,8%) consideram os impactos negativos. Isso ocorre até mesmo com os temas nos quais os impactos são mais evidentes, por serem diretos.

O quadro geral revela que as empresas vêem seu papel na sustentabilidade como não impactante do ponto de vista negativo. Se parcela crítica do setor empresarial não percebe seus impactos na sustentabilidade como negativos, de que setores ou instituições se podem esperar medidas capazes de reverter a persistência de tantos desafios tradicionais ao (sub) desenvolvimento do Brasil?
A competitividade responsável ainda se encontra no estágio inicial e seu avanço
depende de um grande esforço que produza os resultados que a humanidade
reclama...

Textos extraídos das seguintes pesquisas.
¹ Pesquisa 2007 da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável intitulada The Brazilian Business Case for Corporate Sustainability (parceria entre a
FBDS e o Centro de Gestão de Sustentabilidade Corporativa do instituto suíço IMD
(CSM / IMD)). www.fbds.org.br

² Pesquisa 2007 da Fundação Dom Cabral (Cláudio Boechat e Roberta Paro) intitulada Desafios para a sustentabilidade e o planejamento estratégico das empresas no Brasil.
http://ci.fdc.org.br/anexo/artigo/Dossiê%20artigo%204%20%20A11N63N010.pdf